Em 6 de outubro de 2026, MME e ONS reservaram 228 MW para três data centers em São Paulo. Sete empreendimentos habilitados disputaram uma demanda de 451 MW, mas os projetos vencedores absorveram toda a capacidade oferecida.
Em 6 de outubro de 2026, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) definiram o resultado da primeira disputa competitiva da PNAST. Três empresas, Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil, ficaram com os 228 MW de capacidade da Rede Básica oferecidos em São Paulo.
O resultado não significa que os data centers já começaram a funcionar. O que foi confirmado é a alocação de capacidade para conexão ao sistema de transmissão. O fornecimento está previsto para começar em 2029, mas essa data não confirma obras concluídas, licenças emitidas ou instalações prontas.
Capacidade disputada em São Paulo
Sete empreendimentos participaram da disputa e apresentaram uma demanda habilitada de 451 MW. Os 228 MW reservados equivalem a aproximadamente metade desse volume. Ainda assim, os três projetos vencedores absorveram 100% da capacidade colocada no processo.
A PNAST substituiu a análise dos pedidos pela ordem cronológica por temporadas de acesso, nas quais as solicitações são avaliadas conjuntamente e podem ser submetidas a uma seleção competitiva quando a demanda supera a capacidade disponível.
O papel do MME e do ONS
O MME conduz a política pública do setor. O ONS opera o sistema elétrico e participou da alocação da capacidade. A medida foi apresentada dentro da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, a PNAST, criada em 2025.
Segundo o MME, foi a primeira vez que a capacidade remanescente da Rede Básica passou por uma disputa entre os agentes. Antes de uma simples reserva administrativa, os empreendimentos habilitados concorreram pelos pontos de conexão disponíveis durante uma temporada de acesso.
As ofertas funcionaram como um prêmio em reais por quilowatt. Nos pontos de conexão qualificados, o valor-base ficou em R$ 0,38 por kW. Cada nova rodada exigia um aumento mínimo de 1% sobre a oferta anterior. O mecanismo, portanto, colocou preço na capacidade residual e foi além da ordem cronológica dos pedidos.
O alcance da decisão precisa ser delimitado. O processo definiu quem recebeu a capacidade, mas os dados fornecidos não informam investimentos, contratos, obras, licenças, consumo efetivo ou exigências adicionais para a conexão. Também não há indicação de que os três projetos já estejam em operação.
Uma demanda maior que a oferta
A diferença entre os 451 MW habilitados e os 228 MW alocados mostra que a oferta não atendia a todos os pedidos. Ainda não é possível dizer quais projetos ficaram de fora ou quais critérios pesaram na escolha final, porque a informação divulgada não traz a classificação completa, os lances nem a divisão individual do resultado.
O ONS registrou crescimento exponencial nos pedidos de conexão de grandes consumidores em São Paulo, sobretudo de data centers. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam a região metropolitana de São Paulo e a região de Campinas como áreas onde esses projetos se concentram. Os estudos também indicam a necessidade de reforçar e ampliar a rede de transmissão para atender à nova demanda.
A primeira temporada da PNAST registrou 367 cadastramentos de projetos de geração e consumo. O número reúne iniciativas de naturezas diferentes. Não equivale a empreendimentos conectados, em construção ou em operação, mas mostra quantos projetos buscaram acesso ao sistema de transmissão dentro da política.
A disputa também envolve a capacidade elétrica necessária para novas instalações de grande consumo. Em uma análise anterior sobre a rede, a capacidade de conexão apareceu como ponto central para projetos de armazenamento no Brasil. Agora, a decisão alcança data centers e aplica pela primeira vez uma modalidade competitiva à capacidade remanescente da Rede Básica.
O que permanece em aberto
O anúncio não informa quando as conexões serão efetivadas, se haverá obras específicas de transmissão, quais custos caberão aos empreendimentos ou como o acesso será formalizado em cada ponto. Também não revela a demanda individual de Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil. Sem esses dados, não dá para separar a capacidade reservada da conexão física e do consumo real.
Em 6 de outubro de 2026, a ANEEL também abriu uma consulta pública para aperfeiçoar as regras da PNAST. As propostas incluem mecanismos contra a reserva especulativa de capacidade e a concentração excessiva do acesso por um único participante. As regras de transição deverão levar em conta a capacidade remanescente e a análise técnica do ONS.
Para o setor elétrico, o efeito imediato é a destinação de 228 MW a três projetos por meio de uma disputa. Para os demais participantes, o resultado confirma que a demanda habilitada superou a oferta. Ainda não há informação sobre nova rodada, redistribuição de capacidade ou outro mecanismo de atendimento.
A decisão fixa um resultado para os quatro pontos de conexão envolvidos em São Paulo e coloca a capacidade remanescente da Rede Básica em disputa entre os agentes. O dado central reúne oferta limitada de 228 MW, demanda habilitada de 451 MW, lances com prêmio em reais por quilowatt e três projetos escolhidos. Até a divulgação dos prazos e das condições técnicas, trata-se de uma alocação de capacidade com fornecimento previsto a partir de 2029, não de uma confirmação de que os data centers já operam.